segunda-feira, 7 de abril de 2014

I FESTIVAL ECOLOGIA DE SABERES DO PARAÚNA



O I Festival Ecologia de Sabares do Paraúna busca contribuir para a preservação e promoção de saberes e fazeres tradicionais dos povos que habitam a bacia do Rio Paraúna, através de ações de pesquisa e educação que culminarão com a realização de um evento que servirá como experiência piloto para o processo continuado de ensino/aprendizagem de conhecimentos tradicionais e a formação laços identitários regionais ligados ao Rio Paraúna.

Realizado pela ong Caminhos da Serra, o projeto está sendo viabilizado com recursos do Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos de Minas Gerais e conta com a parceria das Prefeituras Municipais de Gouveia e Presidente Juscelino, da Escola Estadual Dep. Renato Azeredo, da Escola Estadual Ciro Ribas, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e da Casa do Elefante: memória, artes e educação.

Focado em atividades na região abrangida pelo Baixo Paraúna, o projeto foi iniciado em 31 de março de 2014 seus principais objetivos são:

- produzir  dossiê com mapeamento participativo dos saberes/fazeres tradicionais do baixo Paraúna.
- capacitar 20 pessoas para produção de conteúdo multimídia sobre 05 saberes/fazeres tradicionais do baixo Paraúna;
- produzir 05 dossiês multimídia, contendo fotos, vídeos e textos sobre 05 saberes/fazeres tradicionais do baixo Paraúna;
- realizar 05 experiências de ensino/aprendizagem de saberes/fazeres tradicionais (carga horária: 16 horas distribuídas em 02 módulos). Estas experiências deverão ser ministradas por mestres de saberes/fazeres locais e terão um público máximo de 20 pessoas por experiência, somando um total de 100 vagas para essa ação do festival.
- realizar 02 exposições multimídia com conteúdo produzido ao longo do projeto.

Caso você queira saber mais ou contribuir com o projeto entre em contato com a Ong Caminhos da Serra, através dos emails: alexambiente@gmail.com (responsável legal da ONG) ou brunomendes@hotmail.com (coordenador do projeto).

domingo, 6 de abril de 2014

A ecologia de saberes no Paraúna: conceito e contextualização regional do projeto



Segundo o pesquisador Boaventura de Souza Santos, atualmente persiste no mundo sistemas “monoculturais” de produção de conhecimentos, bens e de práticas sócio-culturais que promovem a “morte” da diversidade cultural e ambiental e a “descredibilização” de saberes e fazeres que não se enquandram ao modo de produção capitalista.

Propondo a “reinvenção” do pensamento crítico e emancipatório ocidental, Santos indica a importância de desenvolvermos métodos e conhecimentos que valorizam experiências populares e tradicionais diversas, rurais e urbanas, individuais e coletivas para, a partir delas, desenvolvermos “saberes ecológicos” que, apesar de não desconsiderarem a importância da economia e da ciência na contemporaneidade, são capazes de promover caminhos alternativos à realidade “monocultural” que se desenha na contemporaneidade.

Tomando essa proposta como principal referência teórica e política do projeto, acreditamos que a bacia do Rio Paraúna é local privilegiado para realizar um projeto piloto de criação de uma experiência concreta de “ecologia de saberes”. Isso porque a bacia do Rio Paraúna delimita um território que passou por intensos processos de exploração desde o século XVIII. Limite de demarcarção do antigo Distrito de Diamantino entre 1730 e 1835, do Rio Paraúna já foram extraídos diamante, ouro, salitre, areia de quartzo, peixes, água para consumo humano, animal e para geração de energia elétrica, além de ser palco de diversas outras transformações que acompanham o desenvolvimento histórico de Minas Gerais, tais como: supressão da mata nativa para ampliação de pastos e produção de carvão vegetal, ampliação das culturas de eucalipto, abertura de estrada rodoviária federal que liga o sertão central mineiro ao alto Jequitinhonha, enorme êxodo rural, supressão de escolas rurais e inexistência de meios de transporte público para as populações rurais.

Essas características são encontradas em diversas localidades e regiões de Minas e do Brasil, no entanto, o território foco do projeto apresenta uma peculiaridade quando comparado à grande maioria dos municípios mineiro; a população da zona rural do município de Presidente Juscelino é, em percentual quantitavo, maior do que a população da zona urbana. Isso significa dizer que mesmo sofrendo uma grande pressão cultural e econômica, existem práticas, saberes e condições sócio-econômicas que permitiram que os homens do campo deste município permanecessem na zona rural até a atualidade. 

Por outro lado, a Vila Alexandre Mascarenhas, pertencente a Gouveia, representa a maior comunidade rural deste município. Situado nas margens da BR 259 a 45 quilometros de distância da sede urbana municipal, a vila Alexandre Mascarenhas, popularmente conhecida como o “Arraial do Crime”, destaca-se na região como um local que concentra significativa produção, beneficiamento e comercialização frutas, plantas e produtos típicos do cerrado, tais como: a mangaba e seus derivados, o pequi e seus derivados, a pimenta e seus derivados, manga, pinha e centenas de plantas utilizadas para fins medicinais e decorativos.

Ligados e, ao mesmo tempo, separados pelo rio Paraúna, a sede urbana de Presidente Juscelino e a Vila Alexandre Mascarenhas, também antigamente conhecidos como Parauna de Baixo e Paráuna de Cima respectivamente, estão a aproximadamente 05 quilômetros de distância. Atualmente, boa parte da população que residente em uma localidade trabalha na outra, diversas crianças e jovens da Vila Alexandre estudam em Presidente Juscelino, todo o lixo produzido na Vila Alexandre Mascarenhas é levado para o aterro de Presidente Juscelino e grande parte da população que carece de atendimento médico na Vila também vai para o município vizinho. Estes dados mostram que a relação entre essas duas localidades é bastante forte, sendo que ambas representam os maiores aglomerados populacionais situados às margens do Rio Paraúna.

Com população permanente de aproximadamente 3200 mil habitantes (2000 em Presidente Juscelino e 1200 da Vila Alexandre) estas localidades recebem todos os estudantes de ensino fundamental e médio da zona rural banhada pelo baixo Paraúna e apresentam condições geográficas e sócio-econômicas que fazem com que estes lugares sejam um local privilegiado para desenvolvimento de uma experiência piloto e inovadora de um projeto educativo que tem como principais alvos o fortalecimento de laços regionais, a preservação do rio Paraúna e a valorização de saberes/tradicionais que favorecem a diversidade cultural e ambiental, especialmente aquela que está ligada à vida rural.

Para quem se interessar sobre o conceito de Ecologia de Saberes, procure o livro de referência conceitual do projeto: SANTOS, Boaventura Sousa. Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007

sábado, 5 de abril de 2014

A primeira reunião do projeto

No dia 04 de abril de 2014, aconteceu a primeira reunião do coordenador do projeto Bruno Mendes com os parceiros locais do projeto. Nesta reunião, foi apresentado o conceito, a metodologia e o cronograma do projeto.

Além de Bruno Mendes, participaram desta reunião Cristiane Oliveira (Secretaria Municipal de Educação de Presidente Juscelino), José Moreira (Diretor da Escola Municipal José Maria Bonifácio da comunidade rural do Capão), Elisangêla Silva (Diretora do Núcleo Educacional Pedro Ivo de Miranda), Marcilene Rodrigues (Representante da Escola Estadual Dep. Renato Azeredo) e Beatriz Oliveira (Diretora do Centro Infantil Parauninha).



Após a reunião, o coordenador do projeto visitou a Escola Estadual Ciro Ribas, na Vila Alexandre Mascarenhas, onde encontrou com a diretora Eliane.

Durante estes encontros, ficou acertado que cada um dos parceiros terá direito a 04 vagas no Curso "Tradições Culturais e Cultura Digital" que ocorrerá na segunda quinzena do mês de junho. Agendamos também uma reunião com todos inscritos no curso para a terceira semana do mês de abril. Nesta reunião, o coordenador do projeto apresentará novamente as ações previstas e convidará os inscritos para atuar no desenvolvimento das pesquisas participativas sobre os saberes e fazeres tradicionais.