Durante
as pesquisas compartilhadas e atividades formativas feitas com um
grupo de 20 professores, a comunidade do Capão despontou como um
“local de tradição”, com alta capacidade para salvaguardar
saberes tradicionais, além da maioria de seus moradores apresentar
laços consistentes de descendência de africanos que foram
escravizados no Brasil.
Durante
uma das oficinas na qual foram debatidas estas características da
comunidade, um grupo de professores da Escola Municipal do Capão
demonstrou o desejo de percorrer a mitológica trilha de emancipação
e fundação da comunidade. Conhecida através de relatos de
moradores antigos da comunidade, esta trilha seria o caminho pelo
qual pessoas que eram escravizadas na monumental Fazenda do Brejo,
atualmente no município de Santo Hipólito, cruzavam o rio Paraúna
e se aquilombavam na região hoje dominada pela comunidade do Capão.
Motivados
pela conversa foi estabelecido um acordo entre a coordenação do
festival e a coordenação da escola do Capão e a Prefeitura
Municipal de Presidente Juscelino para realização da primeira
vivência do Festival Ecologia de Saberes do Paraúna. Esta vivência
teria como objetivo recuperar manifestações tradicionais no Capão
com especial destaque para o reconhecimento da identidade quilombola
que acompanha a história local.
Para
realizar as vivências, foram convidados grupos culturais
tradicionais que possuem notória capacidade de transmitir estes
saberes. Acreditamos que este é o
principal elemento metodológico do projeto: o desenvolvimento de
ações educativas através da prática do encontro de atores sociais
tradicionais.
A partir destes contatos foi elaborada a seguinte programação do evento:
A partir destes contatos foi elaborada a seguinte programação do evento:
Para
tanto, foram organizados quatro grupos de trabalho. O primeiro deles
tinha base no Capão, sendo formado pela equipe da escola e
lideranças comunitárias que ficaram responsáveis pela mobilização
de participantes das oficinas, preparação da escola para receber os
educadores de fora e montagem de um cardápio típico para ser
servido aos participantes.
O
segundo grupo era formado por educadores de Diamantina e professores
da Escola Municipal do Capão que estavam incumbidos de planejar e
conduzir a oficina “Mapa da emancipação: cartografando a história
da comunidade do Capão” que percorreria o histórico trajeto da
emancipação entre a fazenda do Brejo e a comunidade do Capão.
O
terceiro grupo foi formado por membros da Folia de Reis da comunidade
Andrequicé, Três Marias, Minas Gerais. Este grupo ficou responsável
pela realização da oficina “Abre
a porta e a janela: vem chegando a Folia!”, na qual os foliões de
Andrequicé apresentariam como foi o processo de recuperação do
grupo folia em Andrequicé lançando sementes para o movimento
de retomada e fortalecimento da tradição de Folias de Reis no Capão
e região.
O
quarto grupo foi formado por educadores de Diamantina, Gouveia e
membros da comunidade remanescente de quilombo do Espinho (Gouveia)
distante 80 quilômetros do Capão. Reconhecida como comunidade
quilombola pela Fundação Palmares, a comunidade do Espinho
apresenta, com incrível vitalidade, suas manifestações
tradicionais, sendo amplamente reconhecida na região como um “lugar
de tradição”. Aos membros deste grupo ficou o desafio de
planejar e conduzir a vivência “Aquilombando o Capão: troca de
saberes entre a comunidade quilombola do Espinho e a comunidade do
Capão” que contava com oficina de Dança, contação de histórias
e uma apresentação teatral com 40 membros da comunidades.
A
partir do trabalho destes grupos, foi realizada a seguinte
programação:
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PROGRAMAÇÃO DO I FESTIVAL ECOLOGIA DE SABERES DO PARAÚNA
OFICINA
I
TÍTULO:
MAPA DA EMANCIPAÇÃO: CARTOGRAFANDO A HISTÓRIA DA COMUNIDADE DO
CAPÃO
Ementa:
Iniciação
teórica e prática em geotecnologias com foco no uso GPS e
produção do mapa temático “rota da emancipação do Capão”.
A prática de campo será realizada no baixo Paraúna, onde será
percorrida a mitológica trilha realizada por escravos que fugiam
da antiga fazenda da Glória (Santo Hipólito), cruzavam o rio
Paraúna e se aquilombavam na região hoje dominada pela
comunidade do Capão (município de Presidente Juscelino).
Data:
24
e 25 de outubro de 2014
Local:
Escola Municipal do Capão
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OFICINA
II
TÍTULO:
AQUILOMBANDO O CAPÃO: TROCA DE SABERES ENTRE A COMUNIDADE
QUILOMBOLA DO ESPINHO E A COMUNIDADE DO CAPÃO
Plano
de trabalho apresentado pela comunidade do Espinho
SEXTA:
24 DE OUTUBRO (16:00 às 18:00 horas)
-
Dinâmica de reconhecimento coletivo
-
História da Comunidade do Espinho na perspectiva de seus
moradores
-
A cultura do Espinho (Folia, Cantigas, Tradição Festa de Santa
Cruz, Comidas Típicas)
-
Oficina de Dança Afro (grupo de jovens)
SÁBADO:
25 DE OUTUBRO
(8:00
às 12:00)
-
Contação de Causos com Dona Ana (grupo crianças)
-
Oficina de Dança Afro (grupo de jovens)
14:00
às 18:00 horas
-
Causos de Dona Ana teatralizados com a participação de moradores
do Espinho
-
Confraternização: comidas típicas no Espinho
-
Exposição de artigos confeccionados em palha: produto artesanal
utilizado pelos moradores.
-
Cantigas de Roda e apresentação dos resultados da Oficina de
Dança
Educadores: Seis moradores
do Espinho serão responsáveis pela condução das oficinas e
cerca de 30 moradores do Espinho irão participar das
apresentações. Local:
Escola Municipal do Capão e Barraquinha de Nossa Senhora
Aparecida
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OFICINA
III
TÍTULO:
ABRE A PORTA
E A JANELA: VEM CHEGANDO A FOLIA!
Ementa:
A oficina pretende promover a tradição das folias de reis de
Minas Gerais através da realização de uma vivência conduzida
por uma educadora social e Foliões de região de Andrequicé e
Três Marias. Pretende-se envolver foliões da bacia do Paraúna
para fazer um grande movimento de retomada e fortalecimento da
tradição de Folias de Reis na região.
Data:
24
e 25 de outubro de 2014
Local:
Escola
Municipal do Capão e Barraquinha de Nossa Senhora Aparecida
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RODA
DE CONVERSA E PLANEJAMENTO COMPARTILHADO DE PROJETOS DE BASE
COMUNITÁRIA NA BACIA DO PARAÚNA / REUNIÃO DO SUBCOMITÊ DA
BACIA HIDROGRÁFICA DO PARAÚNA
Ementa:
Breve apresentação dos resultados alcançados durante a
preparação do I Festival Ecologia dos Saberes do Paraúna e
definição diretrizes de próximas ações de preservação dos
saberes tradicionais na bacia do Paraúna
Data:
25/10/2014 - 19:30 às 21:00
Local:
Barraquinha
de Nossa Senhora Aparecida
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