Um dos tópicos mais importantes destes levantamentos é a análise das formas de conduzir a política municipal cultural em cada um dos municípios. Sendo eles, Gouveia e Presidente Juscelino. Abaixo apresentamos os resultados dos levantamentos.
A
política cultural nos municípios de Presidente Juscelino e Gouveia
Para
buscar a sustentabilidade das ações propostas neste projeto
acreditamos ser importante compreender o desenvolvimento das
políticas municipais de cultura patrimônio cultural na área
abrangida pelo projeto. Vale lembrar que em Minas Gerais, devido ao
considerável sucesso do Programa de Municipalização das Políticas
de Proteção do Patrimônio Cultural gerido pelo Instituto Estadual
de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais / IEPHA-MG,
centenas de municípios já criaram as bases legais de uma política
de proteção dos bens culturais.
Implantadas
a partir de um modelo proposto pelo IEPHA-MG, essa política está
fundamentada na atuação de um órgão municipal responsável pela
área do patrimônio cultural e na existência de um conselho
municipal de patrimônio cultural que indica quais os bens devem ser
alvo de pesquisas e de medidas de proteção, como o inventário,
registro e tombamento municipal de bens culturais materiais e
imateriais.
Um
dos resultados práticos deste expediente da política municipal de
cultura vem na forma de repasses anuais feitos do governo estadual
para o município. A análise da documentação relativa a estes
repasses, conhecida como ICMS – Patrimônio Cultural (Lei
13.803/2000), merece destaque dentro desse dossiê, pois auxilia a
identificar quando e quais foram os primeiros bens culturais a serem
protegidos legalmente no âmbito municipal, além de demonstrar como
o poder público municipal se organizou para realizar ações de
proteção da última década.
Nas
tabelas apresentadas abaixo, foram feitos recortes da pontuação
alcançada por Presidente Juscelino e Gouveia nos últimos dez anos.
Tabela
: Pontuação do ICMS – Patrimônio Cultural do município de
Gouveia (2004 a 2014)
|
Ano
de Exercício
|
Pontuação
conferida
pelo IEPHA-MG
|
|
2004
|
2,75
|
|
2005
|
7,00
|
|
2006
|
6,40
|
|
2007
|
-
|
|
2008
|
5,10
|
|
2009
|
7,00
|
|
2010
|
7,00
|
|
2011
|
10,00
|
|
2012
|
2,95
|
|
2013
|
-
|
|
2014
|
-
|
(Fontes:
www.iephamg.gov.br acessado
em abril de 2014)
Tabela : Pontuação
do ICMS – Patrimônio Cultural do município de Presidente
Juscelino (2004 a 2014)
|
Ano
de Exercício
|
Pontuação
conferida
pelo IEPHA-MG
|
|
2004
|
1,95
|
|
2005
|
0,15
|
|
2006
|
1,20
|
|
2007
|
2,60
|
|
2008
|
3,60
|
|
2009
|
5,00
|
|
2010
|
6,20
|
|
2011
|
10,20
|
|
2012
|
8,70
|
|
2013
|
10,20
|
|
2014
|
6,00
|
É
importante apontar que parte significativa desta pontuação é
conferida pela quantidade de bens protegidos e pelo desenvolvimento
de trabalhos de inventário de bens culturais que nos auxiliam a
compreender o perfil do acervo cultural existente no município.
Em
ambos os municípios existem diversos bens tombados e inventariados.
Privilegiando os bens tombados, elaboramos a tabela 3 que nos mostra
quais são os bens legalmente protegidos pelo município
|
Município
|
Quantidade de
bens tombados ou registrados
|
Designação
dos bens
|
|
Gouveia
|
03
|
|
|
||
|
||
|
Presidente
Juscelino
|
03
|
|
|
||
|
Apesar
de ambos os municípios apresentarem a mesma quantidade de bens
tombados, vemos partir dos dados das pontuações alcançadas ao
longo dos últimos dez anos que, comparativamente, o município de
Presidente Juscelino apresenta uma trajetória bem mais consistente
no que tange a política cultural local do que o município de
Gouveia.
Essa
hipótese se fundamenta no fato do município de Gouveia apresentar
uma variação na pontuação muito maior do que Presidente
Juscelino, além do fato de que a Prefeitura Municipal de Gouveia
praticamente abandonou a condução de uma política cultural nos
dois últimos anos, apresentando um Conselho Municipal de Patrimônio
Cultural sem atuação alguma. Ao passo que em Presidente Juscelino,
tanto o Conselho Municipal de Patrimônio cultural quanto a
Prefeitura vem realizando diversas atividades que mostram a valorização local das tradições e bens culturais.
Esta
forma de conduzir a política cultural local foi sentida de maneira
muito evidente no desenvolvimento do projeto, uma vez que não
obtivemos da Prefeitura Municipal de Gouveia nenhum apoio para
realização das atividades previstas na Vila Alexandre Mascarenhas,
distrito pertencente ao município de Gouveia.
Já
em Presidente Juscelino, o retorno e envolvimento da Prefeitura
Municipal, que despontou como o principal parceiro do projeto, nos
possibilitou potencializar as atividades produzidas.
Considerando
este contexto mais amplo das políticas culturais locais, devemos ter
em mente que a continuidade das ações iniciadas durante o projeto
deverá ser bastante influenciada pelo interesse e disponibilidade
das administrações públicas municipais de adotar medidas
continuadas de preservação das tradições culturais populares.
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